Artigos Urbanos · Citações e prévias

Interrogações Urbanas #04

O cheiro da chuva trás mil sensações diferentes; dentre elas preguiça, depressão, saudade e felicidade. É incrível o quanto uma pequena chuva pode nos trazer tantas emoções.

Estava chovendo naquele dia. Na janela do apartamento do Rick, gotas caiam lentamente na bancada. Ele já estava acordado fazia um tempo, mas seus olhos ficaram paralisados ao ver a beleza dos pingos molhados escorrendo na janela.

– Bom dia. – Falou Luke acordando. Rick continuou congelado, observando a chuva. – Quando chove só me dá vontade de ficar na cama.

– Eu não gosto da chuva. – Disse sério.

– Por quê?

– A chuva vicia, uma vez que você a entende.

– Entende? Como assim?

– É como sentimentos; a chuva tem sentimento. Em um dia de sol ela aparece para se refrescar, já nos dias cinzentos ela fica reflexiva. Durante a noite ela procura conforto e pela manhã renovação.

– De onde você tira essas filosofias? – Comentou Luke irônico.

– A chuva me deixa emotivo. – Falou enquanto desgrudava os olhos da janela e dava um beijo em Luke. – Você quer tomar café da manhã?

 

  • Extraído do livro “Coquetel Urbano e suas histórias”.
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Artigos Urbanos · Citações e prévias

Interrogações Urbanas #03

Amor à primeira vista, verdadeiro ou falso? Existem milhares de pessoas ao redor do mundo, cada uma com sua qualidade em especifico, cada uma com suas características e manias.

– Eu acredito em amor à primeira vista. – Falou um rapaz sentado em uma grande escadaria que dava acesso á prefeitura. Dezenas de pessoas a utilizam para comer, conversar ou simplesmente descansar.

– Em que tipo? – Falou seu amigo que o acompanhava com uma salada.

– Como assim que tipo? Existe apenas um amor à primeira vista.

– Não, existem dois. O conto de fadas e o real. Qual dos dois você está se referindo?

– Estou me referindo ao único que existe, você se apaixona e passa o resto da vida com esta pessoa.

– Querido Igor, isso não é amor à primeira vista.

– Então o que é? – Perguntou Igor intrigado.

– Na minha imaginação você só tem o “amor à primeira vista” uma vez na vida, e mesmo assim apenas quando adolescente ou jovem o bastante para acreditar nesta besteira. – Ele deu uma garfada na salada, mastigou o suficiente e depois continuou. – Só temos amor à primeira vista quando estamos novos, quando não sabemos exatamente o que o amor faz. O amor para as pessoas que acreditam nisso é um amor de Cinderela, um sentimento que não existe na realidade. Por exemplo, eu. Quando tinha quinze anos eu me apaixonei por um garoto da minha turma de teatro, foi amor à primeira vista. O cara era alto, bonito, tinha uma barba bem feita… O rapaz era um sonho. Nós passamos meses namorando, eu estava completamente apaixonado, a fantasia da minha cabeça fazia com que tudo aquilo fosse realmente o meu conto de fadas. Até que ele se jogou da ponte e eu nunca mais o vi.

Igor ficou parado, chocado com a noticia.

– Ele morreu?

– Não, só ficou com umas cicatrizes, nada muito grave (eu acho). Depois daquele dia eu fui proibido de ver o garoto, afinal de contas ele era maluco. Foi ele que começou minha maldição, acredita?

– Que maldição?

– A maldição de que eu só fico com gente maluca. Todos os meus relacionamentos se resumiram em pessoas que não tinham um bom estado mental. Veja Felipe que era bipolar; Lucas que não conseguia ter apenas uma personalidade. Este rapaz do teatro foi o cara que começou tudo isso, o meu primeiro amor à primeira vista foi o cara que definiu todos os meus futuros relacionamentos.

– Só porque foi assim com você, não significa que será assim com todo mundo.

 

  • Extraído do livro “Coquetel Urbano e suas histórias”.
Artigos Urbanos · Citações e prévias

Interrogações Urbanas #02

Um dia tem vinte e quatro horas, uma hora tem sessenta minutos e um minuto tem sessenta segundos. O tempo é algo que não foi criado e sim descoberto. Contudo, a partir do momento em que o descobrimos, passamos a reclamar da sua existência.

Frases como: não tenho tempo; o tempo passa muito rápido ou o tempo está passando devagar, são ouvidas ao redor do mundo a cada milésimo de tempo.

Por outro lado também existem inúmeras controvérsias, como: O tempo cura, e, o tempo trará a justiça.

De tudo isso, a única conclusão que podemos tomar é que o tempo pode até sumir, mas no final de tudo, vamos querê-lo de volta.

O tempo vai me fazer esquecer isso – Pensava Thomas enquanto preparava o almoço sozinho em casa. – É normal sentir atração por outras pessoas. O problema é se eu fizer alguma coisa.

Era segunda-feira. Uma nova semana, um novo tempo.

 

  • Extraído do livro “Coquetel Urbano e suas histórias”.
Citações e prévias

Interrogações Urbanas #01

Quando crescemos sempre ouvimos que somos responsáveis pelas nossas atitudes; você colhe o que planta e assim sucessivamente.

Todos nós cometemos erros, sejam eles pequenos ou grandes; mas o que acontece quando os nossos erros acabam atingindo outras pessoas? E o principal, o que acontece quando atingimos as pessoas que amamos?

 

  • Extraído do livro “Coquetel Urbano e suas histórias”.
Citações e prévias

Dois homens no escuro

A noite estava fria e escura. A rua deserta demonstrava sua solidão com um pequeno balé realizado pelas folhas mortas que caíam dos ramos das árvores.

Das sombras de uma das árvores surgiu um homem alto e sério; ele portava uma longa capa preta e na sua cabeça jazia um grande chapéu redondo, também preto.

O homem observou a rua deserta e caminhou até o último poste do extremo. Lá ele se encostou no tronco de metal e retirou um cachimbo das vestes. Ele acendeu a fornalha e tornou-se a olhar para o vazio na sua frente.

Lentamente outro homem apareceu no final da rua. Ele caminhou em direção ao desconhecido até imitá-lo na posição. O primeiro homem tinha longos cabelos pretos, já o segundo estava irreconhecível.

– Irei ao amanhecer. – Falou o primeiro para o vento.

– Tente não estragar tudo desta vez.

– Não irei, Linn, o plano está todo esquematizado.

– Alguém desconfia do disfarce? E quanto à fronteira?

– Já está tudo resolvido. Pode confiar.

O segundo homem bufou discretamente. Linn levou o cachimbo à boca e lentamente sugou a fumaça; soltando-a lentamente segundos depois. Os galhos da árvore balançavam devagar, seguindo o movimento do vento.

– O mapa já está quase completo, Marc – Falou Linn embaixo do capuz. – Em breve tudo irá mudar.

– E eu quero fazer parte desta mudança.

– Se você completar a missão tenho certeza de que fará parte. Você trouxe o pacote?

Marc colocou a mão no bolso e delicadamente retirou um objeto redondo que estava envolto em um pano xadrez. Finn observou a sombra arredondada do objeto e se fascinou. Lentamente ele estendeu a mão e puxou o artefato da mão de Marc; guardando-a rapidamente no bolso.

– Isso poderá mudar o destino de tudo. – Comentou Finn.

Marc, que até então estava com uma expressão tristonha por ter passado o objeto para o Finn, voltou a observar o final da rua escura.

– A máquina está pronta? – Perguntou ele.

– Em poucos meses estará. Em poucos meses a mágica mais poderosa deste mundo estará quebrando toda e qualquer barreira. – Finn proclamava as palavras com raiva e rancor. – Em poucos meses mais países serão dominados e o grande relógio de Garnir irá sucumbir. Em poucos meses, caro Marc, o símbolo de tradição e honra do mundo mágico Belga se tornará lenda. E então uma nova ordem surgirá e tudo o que um dia foi considerado inútil e desprezível, será aclamado e reverenciado.

Um pássaro voou da árvore e seguiu rumo por entre o céu estrelado. Os homens se entreolharam e depois voltaram a fitar o fim da rua.

– O Charles foi eliminado? – Perguntou Marc.

– Está preso. Não acho que o grupo vá eliminá-lo, afinal de contas ele foi muito importante para o movimento. Pena que não se adaptou as… Melhorias.

Outro pássaro voou da árvore, desta vez cantando. Finn deu um passo para frente e em súbito começou a caminhar pela rua, voltando para o começo dela.

Marc estranhou o comportamento do comparsa, mas em poucos segundo entendeu do que se tratava.

De repente, Linn se virou e soltou uma bola verde esmeralda em direção à árvore. Um fogaréu enorme iluminou a rua enquanto a árvore pegava fogo.

Das chamas caíram dois corpos. Era um homem e uma mulher, ambos não sofreram queimaduras, mas seu aspecto era um tanto quanto curioso. O casal tinha enormes asas de canários e a boca deles lembrava um bico.

Segundos depois da queda os dois se levantaram rapidamente e conjuraram uma mágica em direção ao Finn.

No exato momento, Marc fugiu por entre a rua. O homem pássaro ainda tentou impedi-lo, mas de nada adiantou. Marc fugiu com a velocidade de um relâmpago.

A batalha gerou enormes flashes de luz e a rua que antes estava escura, agora reluzia em raios azuis marinhos e vermelho sangue.

Em determinado momento o homem pássaro pulou e se transformou em um pequeno canário, ele deu dois cantos e depois sumiu no meio do céu. A mulher continuava concentrada, soltando mágicas intermináveis em direção ao Linn.

Mas Linn não era iniciante no mundo mágico. O encapuzado dominava a arte e ainda tinha tempo de cobrir o rosto quando o capuz ameaçava voar.

– Sua insignificante, estúpida. – Falava roendo os dentes de raiva. – Eu vou te matar.

A mulher não perdia tempo falando, apenas sussurrava mágicas ainda mais poderosas e complexas para si mesma.

– O seu mundo vai queimar. – Continuou o rebelde, agora com os olhos fervendo. – E quando chegar a hora, eu irei te ver implorar para morrer.

Inúmeros raios prateados começaram a dançar ao redor dos dois mágicos. Um apito agudo foi ouvido ao longe; várias luzes se acenderam na rua.

Em seguida ecoou um grito feminino, um estalo e uma risada.

E então tudo ficou escuro.

 

  • Texto extraído do livro “Albert Beaumont no mundo dos mortos”. Pag 11 até 14.